Cartas da Índia. 

A pobreza e a violência estão entrelaçadas nas histórias de Anita, Chinnama e Ruphina. Algumas vezes, os seus olhares estão cansados. Nas suas vozes trêmulas, ouve-se o seu orgulho por terem conseguido; por recuperarem uma esperança que parecia ter-se desvanecido sob o peso da tristeza. Aqui estão três cartas da Índia, da aldeia de Taganaju, onde o sol brilha com a luz de uma alegria recém-descoberta, apesar das dificuldades.

  • Anita e Família

Namaskar a todos (Saudações a todos).

Chamo-me Anita Pradhan. O meu marido Sahadev e eu, juntamente com os nossos seis filhos, quatro filhos e duas filhas, vivíamos numa pequena cabana. Parecia vivermos tão apertados como peixes num pequeno aquário, com pouco espaço para nos mexermos.

Sempre vivemos na pobreza. Temos dificuldades financeiras, somos analfabetos e o nosso único rendimento provém do cultivo da terra e do trabalho diário ocasional. Era uma vida dura e o dinheiro que recebíamos não era suficiente para dar um abrigo adequado à nossa família.

Então, um dia, a Família Vicentina ajudou-nos generosamente para conseguir uma casa de alvenaria e com três quartos! Para nós, era muito mais do que uma simples casa. Era um lugar onde podíamos finalmente viver com dignidade. 

As nossas vidas pareciam estáveis e, por isso, decidimos investir na educação dos nossos filhos. Foi uma decisão difícil, porque ainda não tínhamos muito dinheiro, mas estávamos determinados a dar aos nossos filhos todas as oportunidades que não tivemos. Duas das nossas filhas estão agora frequentando a escola e, apesar de ser um desafio, estamos empenhados na sua educação. 

Apesar de nossos esforços, três crianças não puderam seguir a educação formal. No entanto, com a ajuda da AIC, um de nossos filhos conseguiu um emprego como enfermeiro. Isso realmente trouxe muito orgulho para nossa família e também contribuiu para a renda geral, tornando nossas vidas mais sustentáveis.

Os meus filhos podem falar em bom-tom como toda a ajuda que recebemos mudou as nossas vidas. Éramos uma família que lutava na pobreza e agora estamos vivendo uma vida feliz e digna na nossa nova casa. A Família Vicentina não nos deu apenas uma casa, mas também um futuro melhor. Estamos imensamente gratos pela sua bondade e apoio, que teve um impacto verdadeiramente definitivo nas nossas vidas.

Com os nossos sinceros agradecimentos,

Anita e família

  • Chinnama e Família

Olá a todos,

Chamo-me Chinnama. O meu marido Ajit Kumar e eu, juntamente com os nossos pais e dois filhos, vivemos juntos como uma família de seis pessoas.

A nossa casa era muito pequena, em condições precárias e inadequada, especialmente durante a época das chuvas. Costumava ter goteiras e infiltrações, o que nos causava muita preocupação. Sempre que chovia, e juntamente com os nossos filhos, rezávamos pedindo para Deus para que aliviasse este sofrimento e nos protegesse das inundações.

As nossas orações foram atendidas quando a Família Vicentina entrou em ação para ajudar-nos. Forneceram-nos todos os materiais essenciais: cimento, areia e barras de ferro.

Unidos como uma comunidade, nós; juntamente com outras pessoas da aldeia, construímos uma nova casa. Cada um de nós contribuiu com a sua mão de obra, assentou os tijolos e colocou as pedras. Foi um esforço coletivo, um testemunho do poder e da unidade da nossa comunidade.

Terminar a construção da nossa casa, inundou o nosso coração de alegria. Já não nos preocupamos com as goteiras e infiltrações durante a chuva nem com todos os desafios que a acompanham. A nossa casa é um símbolo de união, de trabalho árduo e da bondade daqueles que acreditam em auxiliar os outros.

Com gratidão,

Chinnama e família

  • Ruphina e Família

Saudações,

Chamo-me Ruphina. Vivo com a minha sogra e os meus cinco filhos, duas filhas e três filhos.

A vida sempre foi um desafio devido às nossas dificuldades financeiras. Vivíamos numa casa muito pequena e o espaço não era suficiente para nós. Viver na pobreza era incrivelmente difícil.

Em 2008, a nossa aldeia foi devastada pela violência de organizações anti-cristãs. A lembrança do que aconteceu continua viva na minha mente, ao ser um dia de terror. A segurança dos meus filhos era a única coisa que importava e, à medida que a ameaça se aproximava, decidi, com os meus filhos ao meu lado, fugirmos para o campo, em busca de refúgio.  

No dia seguinte ao ataque, voltamos à nossa aldeia. A nossa casa estava completamente destruída e ainda estava em chamas. Ver tudo destruído pela violência em apenas alguns momentos deixou-me sem palavras e com muita dor.

A nossa casa já não era segura e durante nove meses tivemos de viver num campo de refugiados. Nada era certo e tudo era caótico.  

Quando finalmente regressamos à nossa aldeia, encontramos destruição em todos os cantos. A nossa casa desapareceu, substituída por uma tenda que oferecia pouco ou nenhum conforto. Foi assim que nos tornamos sem-teto. 

No meio das nossas dificuldades, a Família Vicentina entrou nas nossas vidas. Testemunhando a nossa situação difícil, ajudaram-nos de formas que nunca podermos ter imaginado. Deram-nos cabras para ter uma fonte de rendimento sustentável. Além disso, reconhecendo a importância da educação, ofereceram apoio para os nossos filhos frequentarem a escola. Deram-nos uma casa nova que construímos em conjunto com outras pessoas da aldeia. A união da comunidade deu-me força para continuar, especialmente depois do falecimento do meu marido há dois anos.

Hoje, refletindo sobre a nossa vida, sinto-me inundada de gratidão e felicidade. A Família Vicentina não se limitou a reconstruir a nossa casa. Eles restauraram a nossa esperança, permitindo-nos seguir em frente com as nossas vidas. 

Com os nossos mais sinceros agradecimentos,

Ruphina e família